Quais os problemas em ter filho único?

Eu não saberia te responder.

Antes que você se aborreça, e pense “por que essa maluca começa um post se não sabe a resposta?”, entenda: eu já tive uma filha só. Por dois anos e nove meses. Mas eu nunca quis um filho só.

Na verdade, eu e o Fabio sempre quisemos dois.

“Ué, mas ela disse no blog que tem três…” Sim, eu tenho. E foi planejado. Depois te conto.

Voltando ao ponto: o grande problema com ter um filho só são os outros.

Sim, os outros.

Aqueles que não são você e o seu cônjuge. Ou o outro pai/mãe da criança.

O problema são os sogros. Aquela tia-avó que é um amor, mas que dá palpite demais. Os seus amigos que têm trocentos filhos. Aqueles que não têm nenhum, mas acham super adequado opinar no tamanho que a sua família deve ter.

“Ah, um filho só é tão pouco” (como assim? Tem quantidade certa?). “Coitadinho, não vai ter ninguém para brincar” (ué, não vai ter amiguinho na escola, no condomínio, primos??). “Filhos únicos são muito egoístas” (prefiro não comentar). Ou, ainda melhor: “um filho só não tem com quem dividir a responsabilidade com os pais quando eles ficarem velhos”. E a pérola máxima: “olha lá, hein, você não vai ter ninguém pra cuidar de você na velhice”.

Sim, cara leitora, caro leitor: eu já ouvi gente falando isso para um pobre casal, que, acossado, ficou sem palavras.

Afinal, qual perspectiva pode ser mais aterradora do que uma velhice solitária? Ou ser um peso para os filhos nos últimos anos da vida?

Em algum universo paralelo, do qual eu desconheço a origem, as pessoas acham que se deve ter filhos para se ter cuidadores na própria velhice. Não julgo, mas acho muito, muito estranho. Sei lá, eu quero que meus filhos continuem me amando muito quando eu estiver velha, mas espero ter, até lá, encontrado uma maneira de sobreviver sem ser um peso para eles. E que, se eles precisarem me ajudar, que seja de bom grado, não porque eles sintam que têm a obrigação. Porque eu dei a vida a eles e coisas do tipo.

De novo: essas pessoas é que são o problema, querida leitora, querido leitor.

O tamanho que a sua família vai ter só interessa a você, e a quem pilota esse avião contigo.

Porque, acredite em mim: as pessoas vão falar. Um monte.

Mas não vão consolar seus filhos na madrugada quando eles tiverem dor no ouvido. Ou pagar as escolas caríssimas que você sonhou para suas crianças porque, afinal, “não sou rica, e a única herança que posso deixar para meu filho é a educação” (sou a puxadora da fila deste clube). Não são eles que vão passar o domingo preparando comida para a semana toda para aquele batalhão, porque não dá tempo de fazer janta depois que a gente chega do trabalho. Não são eles que vão ter de ficar sem almoçar porque entre o horário em que você tem que pegá-los na escola e o único horário em que o laboratório tinha para você fazer aquele exame que está pendente há meses, não dá tempo de comer nada além de um biscoito recheado cheio de gordura trans – mas, putz grila, por que essa porcaria tem um gosto tão bom?

São VOCÊS.

Então, cara leitora, caro leitor. Se você quiser ter um só filho, tenha um só filho. E não dê espaço para que os outros opinem. Porque, no fim do dia, ele será SEU FILHO. E de mais ninguém.

Você já sofreu pressão para ter mais de um filho? Ou ficar só em um? Já ouviu um comentário bizarro, que te deixou sem ação? Conta pra mim! Aqui tem um ouvido amigo 😉

Beijos.

Ana Paula.

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